TRISTEZA ou DEPRESSÃO? Como o PILATES pode ajudar VOCÊ a lidar com isso.
- grasielafranco13
- 16 de dez. de 2025
- 5 min de leitura
O mundo continua girando, mas quando você está deprimida sente que ficou para trás, observando tudo através de um vidro embaçado.

A depressão é um estado profundo da alma e do corpo em que a sua vida perde o brilho, o sentido e o ritmo.
É como se algo dentro de você ficasse silencioso, as coisas que antes te davam prazer já não despertam emoção. Seu sorriso vem mais fraco, o cansaço aparece sem esforço, e acordar todos os dias passa a exigir uma força que ninguém vê. O mundo continua girando, mas quando você está deprimida sente que ficou para trás, observando tudo através de um vidro embaçado.
A depressão pode te confundir e fazer você duvidar de si mesma e do seu valor. Ela traz pensamentos pesados, como culpa, inutilidade e o medo de ser um peso para os outros, mesmo sem motivo claro. Não é drama: é uma dor real que afeta o cérebro, os sentimentos e o corpo ao mesmo tempo.
Seu corpo sente, seu e seu apetite muda, sua energia some, sua mente sofre, seus pensamentos ficam lentos ou repetitivos, a esperança parece distante, seu coração dói, e você sente uma solidão que não desaparece, mesmo estando acompanhada.
Talvez o mais difícil seja isso: por fora, você continua funcionando, trabalha, conversa e até sorri quando precisa. Mas por dentro, você está lutando para simplesmente existir. A depressão é uma luta silenciosa, diária, cansativa, de você com você mesma.
COMO ELA SE MANISFESTA NAS MULHERES
Nas mulheres, a depressão nem sempre aparece como choro ou pedidos claros de ajuda; muitas vezes ela se esconde por trás da força, do excesso de responsabilidade e do “eu dou conta”.
Ela pode aparecer como um cansaço profundo que não melhora com descanso: uma exaustão emocional de quem cuida de tudo e de todos, mas sente que ninguém cuida dela. Por fora, a mulher segue funcionando — trabalha, organiza, acolhe — enquanto, por dentro, vai se esvaziando aos poucos.
As mulheres deprimidas se cobram demais. Sentem culpa por não estarem felizes e por acharem que não são “boas o suficiente” como mães, filhas, parceiras ou profissionais. A tristeza vem junto com uma autocrítica severa, vergonha e a sensação constante de falhar, mesmo quando já estão fazendo mais do que conseguem.
A depressão feminina também costuma se manifestar no corpo: dores sem causa aparente, enxaquecas, mudanças no sono, no apetite, no ciclo menstrual e na libido. Emoções que não são ditas acabam sendo sentidas fisicamente — o corpo expressa aquilo que a mulher aprendeu a silenciar.
Há ainda a influência hormonal, fases como gestação, pós-parto, amamentação, TPM, uso ou interrupção de anticoncepcionais, peri menopausa e menopausa podem intensificar os sintomas da depressão. O corpo feminino é mais sensível às oscilações químicas que afetam o humor.
Muitas mulheres mascaram a depressão com sorriso social, produtividade, cuidado excessivo com os outros, esquecendo cada vez mais de si mesmas, por isso, a depressão demora mais para ser diagnosticada. Às vezes, o primeiro pensamento não é “estou deprimida”, mas “estou fraca”. E isso machuca ainda mais.
Tristeza ou depressão? Como diferenciar?
Veja abaixo a sutil diferença entre tristeza e depressão:
Nem sempre a depressão começa com tristeza intensa. Muitas vezes, ela se anuncia em pequenos sinais que vão sendo normalizados, esses sinais costumam ser ignorados porque a mulher continua “dando conta”.
Tristeza
Tem começo, meio e fim
Surge após uma perda, frustração ou decepção
Vem em ondas e não anula totalmente o prazer
A pessoa ainda consegue sentir esperança
A tristeza é um sentimento, uma emoção natural e necessária
A tristeza dói, mas não muda quem você é.
Depressão
Dura semanas ou meses
Afeta humor, pensamento, corpo e autoestima
Geralmente se apresenta como sensação de vazio
Nada parece aliviar de verdade, nem descanso, nem férias
A autocrítica é um sintoma grave e marcante
A depressão é mais profunda e abrangente.
Sinais de alerta que costumam passar despercebidos
Cansaço constante, não é cansaço comum, é exaustão, o sono não repara, você deita e acorda cansado.
Perda de prazer nas coisas simples que antes te davam prazer perdem o sentido, conversar, ouvir música, se arrumar, são exemplo disso.
Irritabilidade frequente. A paciência encurta, tudo parece mais intenso e irritante.
Autocrítica excessiva: pensamentos do tipo “qualquer um faria melhor", “não sou suficiente”, são comuns.
Isolamento silencioso: a pessoa se afasta por falta de energia para socializar
Sintomas físicos recorrentes podem acontecer com frequência, alterações hormonais, falta ou excesso de menstruação, dores no corpo, enxaqueca, falta ou excesso de apetite, problemas gastrointestinais, são alguns exemplos.
Cumprir obrigações como se estivesse desconectada de si, sem presença, o famoso “viver no automático!”.
Sensação de vazio

Como o Pilates pode ajudar uma pessoa que sofre com tristeza profunda ou depressão?
O Pilates fala uma língua que a dor entende: a do corpo e do cuidado sem violência.
O Pilates pode ajudar uma pessoa que vive com tristeza profunda ou depressão não porque “resolve tudo”, mas porque cria pequenos espaços de alívio, presença e reconexão — e isso, para quem está sofrendo, já é muito.
Quando alguém está deprimido, o corpo e a mente se afastam um do outro. O Pilates trabalha justamente essa ponte.
Primeiro, pelo corpo. Os movimentos são conscientes, controlados e respeitam limites. Isso ajuda a diminuir tensões acumuladas, dores persistentes e a sensação de peso corporal tão comum na depressão. Com o tempo, o corpo passa a se sentir mais habitável, menos hostil.
Depois, pela respiração. A respiração profunda e ritmada ajuda a acalmar o sistema nervoso, reduz a ansiedade e melhora a oxigenação do cérebro, o que pode aliviar a sensação de confusão mental e apatia.
Há também o efeito emocional. A prática estimula a liberação de neurotransmissores ligados ao bem-estar, como endorfina e serotonina. Isso não significa euforia, mas pequenas melhorias no humor, mais estabilidade emocional e uma sensação discreta de “estou um pouco melhor hoje”.
Outro ponto essencial é o resgate da presença. Durante a aula, a atenção precisa estar no aqui e agora: no movimento, na postura, no ritmo. Para quem sofre com pensamentos repetitivos, culpa ou vazio, isso oferece pausas mentais — momentos em que a dor não comanda tudo.
O Pilates também ajuda na autoestima silenciosa. Não exige comparação, desempenho extremo ou competição. Cada avanço, por menor que seja, reforça a ideia de que o corpo ainda responde, que a pessoa ainda é capaz. Isso reconstrói a confiança de forma gentil.
Por fim, existe algo sutil, mas poderoso: o compromisso com o próprio cuidado. Comparecer às aulas, mesmo sem vontade, é um gesto de respeito consigo mesma. Aos poucos, isso fortalece a sensação de merecimento — algo muito abalado na depressão.
É importante dizer: o Pilates não substitui acompanhamento psicológico ou psiquiátrico quando necessário. Mas ele pode ser um apoio valioso, um chão firme onde o corpo começa a lembrar à mente que a vida ainda pode se mover.
Um ponto importante
A tristeza pode evoluir para depressão quando é ignorada. A tristeza sem motivo, persistente ou muito intensa são sinais de que algo precisa de cuidado.
Perceber esses limites não é exagero, é autopreservação.
Dra Grasiela Caputi Franco
Fisioterapeuta - CREFITO: 72297-F
Olímpia - SP
(17)99727-2624




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